sexta-feira, 29 de agosto de 2014

JOVENS, NÃO PISEM NO TOMATE!

JOVENS, NÃO PISEM NO TOMATE!

Outro dia encontrei um desses jovens que tem um discurso pronto acerca do governo do PT, especialmente da Presidente Dilma. Interessante como a mídia conseguiu fazer com que todos tenham o mesmo discurso. E pior: fez acreditar que não é discurso replicado, mas opinião. Os mesmos itens, as mesmas questões e quase sempre vazias, sem argumento. Os jovens que hoje tem seus 24, 23 ou 22 anos, entre 2000 e 2002, tinham 10 anos de idade. Com essa idade eu não tinha noção de mundo e sequer saberia fazer uma avaliação política. Eu não entenderia porque era preciso racionar energia. Não imaginava sequer que poderia ter um ônibus para me levar à escola. Livros gratuitos? Bom isso não estava sequer nos meus pensamentos. Faculdade? Escolas técnicas? Ciência sem Fronteiras? PRONATEC? ENEM? FIES? PROUNI? Com 10 anos eu não saberia mensurar a relevância de tais ações. Ocorre que, entre 1999 e 2000, eu não tinha 10 anos. Estava com a mesma idade dos jovens do ensino médio de hoje. Então, eu já era capaz de fazer minhas avaliações.
Nesse período, o ENEM acontecia apenas em cidades grandes, geralmente nas capitais dos Estados. Não tinha livro didático gratuito no Ensino Médio. Quem quisesse deveria comprar. Acesso à internet? Apenas discada e quem tinha eram pessoas de grandes posses. Ingresso à faculdade? Bom esse era um grande desafio, pois as vagas eram muito reduzidas. Além disso, os centros universitários ficavam muito distantes. Escolas técnicas? Nunca ouvi falar... E acredite, no período que fiz o Ensino Médio (1999-2000) aconteceram vários problemas no Brasil. A venda da Petrobras entrou em discussão; havia inflação?, sim havia! Corrupção? Claro que sim, mas somente alguns escândalos foram parar na capa da Veja. Se não acredita, basta buscar no acervo digital. Mas não envolviam o presidente da República! Envolvia sim!
Então, eis que hoje (2014) encontro um jovem com seus 22 anos. Faz seu curso em Universidade particular com sua bolsa integral de 100% pelo PROUNI. Falamos sobre política e pergunto-lhe sobre suas pretensões. Esperava que ele fosse me responder que iria votar na salvadora da pátria, no anjo da anunciação da boa e “nova” política brasileira. Ele me disse que iria votar em Aécio. Até aí tudo bem. Afinal, estamos em uma democracia. Então pedi que me explicasse o porquê da sua aproximação ideológica com o referido candidato. Eis que escuto: - Marina Silva é PT do mesmo jeito e a Dilma e o Lula acabaram com o país. Então eu pensei: vivemos em países diferentes. Para seguir na discussão, porque esse ainda dava para conversar, pedi que elencasse alguns motivos pelos quais considera o governo federal um desastre: Eis a lista: Construção de um porto em Cuba; Caos na saúde; Falta de segurança; inflação.
Então, procurei explicar alguns itens. Retruquei que o porto foi um financiamento do BNDES para uma empresa brasileira construí-lo com todos os trâmites exigidos em qualquer operação financeira. O único problema foi o fato de ser em Cuba. Só por isso a mídia repercutiu tanto esse assunto. Se fosse no Afeganistão talvez tivesse repercutido menos. Sobre a saúde eu disse que ela está longe de ser ideal, mas que além de ser uma responsabilidade compartilhada (sim, isso mesmos, o Brasil é um ente federado!) temos grandes conquistas (não elenquei na hora, mas para lembrar: SAMU, UPA’s, Mais Médicos, Brasil Sorridente, Farmácia Popular). Acerca da falta de segurança eu argumentei que realmente é um grande problema, mas que um bom modelo seria promover a integração entre os Estados e Municípios e, consequentemente, entre as diferentes corporações policiais. Inclusive o Governo Federal criou em agosto de 2014, a Coordenadoria Integrada de Segurança Pública do Nordeste para combater ações criminosas na região.  Sobre a inflação eu lhe disse que não sei avaliar, visto que não conheço os conceitos básicos da economia. Então o jovem e inteligente rapaz me disse: - não é preciso saber disso para reconhecer que há inflação. Basta ver os preços dos alimentos. Olha o preço do tomate! Sobe todos os dias! Eu pensei antes de responder e disse-lhe: - Bom, se você quer medir a inflação pelo preço do tomate vamos lá. Eu não entendo de inflação, mas de tomate sim. Realmente há mais de um ano houve oscilações no preço. Mas como eu compro toda semana e consumo todos os dias eu te digo uma coisa: se o tomate é seu único parâmetro, não há inflação. Ele parou a argumentação, mas continuou achando que estava certo, mesmo tendo pisado no tomate.
Percebi então que eu estava diante de uma pessoa que pensa ser muito crítica, mas que na verdade repete um discurso, sem argumentos ou ainda sem compreensão dos fatos. Um jovem que diz haver inflação, apenas porque ouviu dizer que o tomate, que seus pais compram tem variações de preço. Se ele nem se dá ao trabalho de saber o que está dizendo, imagine buscar compreender seu contexto de 10 anos atrás. Mas ele decidirá o futuro dos próximos 4 anos. O que é preocupante!
Então, você que está no laboratório da sua escola com acesso à banda larga compartilhando nas redes sociais, fora Dilma!, PT não me representa! Você que está sentado na sua cadeira comissionada da prefeitura porque pediu votos para o prefeito e quer acabar com a corrupção. Você que está nos Estados Unidos como cidadão brasileiro, participando do Ciência sem Fronteiras e achando que o Brasil não presta. Você que estuda em uma escola técnica há 30km da sua casa e reclama que está faltando uma cadeira. Você que ingressou pelo sistema de cotas e diz que a Dilma não te representa. Você que está insatisfeito com o atraso das obras de transposição do rio São Francisco, mas não sabe sequer os Estados que serão beneficiados. Você que estuda em uma Universidade construída no governo do PT e acha que ela está sucateada; Você que tem uma bolsa auxílio alimentação/moradia e reclama que o valor é baixo; Você que recebe uma bolsa de mestrado/doutorado, mas é contra o bolsa família; Você que conseguiu emprego nos últimos anos e acha que o Brasil está mal: cuidado para não pisar no tomate nessas eleições. Mas se ainda assim o fizer, saiba que seu pé ficará sujo por 4 anos.


João Paulo de Oliveira

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