“A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem.
Não pode temer o debate. A análise da realidade.
Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. ” – Paulo Freire
Paulo Freire é muito feliz com esse pensamento e a partir dele gostaria de fazer algumas ponderações. A educação é um sistema complexo que se integra a outros sistemas, dentre eles a educação formal e sistematizada oferecida pelas escolas. Isso significa que ela não se processa apenas em sala de aula, mas em todos os ambientes onde as relações sociais acontecem. Assim, falar de educação não é tão simples, mas sem dúvida é um ato de amor. Um amor que vem desde a criação na família que tem de dedidir, optar e tentar traçar o melhor caminho para os filhos. Um ato de amor que deve permear a escolha dos conteúdos curriculares que são ministrados nas diferentes etapas de formação de um indivíduo e se materializa na implementação desses conteúdos no cotiano escolar.
Nesse sentido, torna-se também um ato de coragem porque nem sempre as escolhas que fazemos por outros são sempre as melhores (a melhor escola, o melhor currículo, a natação ou o futebol?). Não podemos, de fato, fugir ao debate. Mas, de que debate? Que debate Paulo Freire se referia? Provalvemente o debate que envolve uma formação crítica, respeitosa e que consiga compreender a sociedade como um espaço multifacetado e que, em virtude disso, precisa de regras para que não se afunde nos caos. Regras não foram inventadas pelo capitalismo e tampouco pelos ditadores. Elas se formaram pela necessidade de fazer com que todos pudessem viver harmonicamente. Isto se torna mais forte a partir de 700 a.c quando as primeiras pólis gregas começaram a experimentar um grande crescimento e se tornaram as grandes potências da época.
Esse debate também não podemos temer, pois o pensamento de Paulo Freire não se aplica apenas ao contexto da época em que foi escrito. Paulo Freire é muito mais que o contexto ditatorial onde viveu. Por isso ele ainda faz tanto sentido para a realidade atual. Uma realidade que se coaduna muito com o pensamento de Bauman. As coisas são fluidas, rápidas, êfemeras. Não podemos fugir desse debate. É preciso discutir a educação de hoje considerando esses valores que caracterizam essa época. Isso significa fazer uma análise da realidade. A vida no mundo real não é um vídeo de 2min no youtube. Como já bem pontou Exupéry, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, ou seja, precisamos ter responsabilidades, precisamos saber o que queremos.
É importante refletir sobre o que sonhamos!
O que nós educadores podemos fazer para contribuir com a efetivação dos sonhos dos nossos jovens? Frei Beto em uma de suas palestras, que tive o prazer de participar, dizia que não podemos perder a capacidade de sonhar, porque tudo o que temos de materializado na vida hoje já foi sonho um dia.
A educação humana integral capaz de desenvolver uma postura crítica e pautada no respeito, é certamente, um caminho a ser perseguido. Um caminho que nos permita participar do cotiano onde trabalhamos/estudamos e de mudá-lo sempre que for necessário, sem que precisemos desrespeitar pessoas e espaços. Educar para o respeito não significa formar cidadão alienado ou sem criticidade, significa educar para conviver com outro. Desse valor, a meu ver, derivam-se muitos outros. Se negarmos essa discussão, podemos está sim sob pena de vivermos uma verdadeira farsa educacional, como anunciou Paulo Freire.