Esta eleição será pela primeira vez, desde que sou eleitor, o momento do país que mais tenho sentido medo. O que está em jogo não são projetos de nação, mas acima de tudo a liberdade da nação. Isto pode até não acontecer, mas as atitudes e as palavras do candidato de extrema direita não deixam dúvidas acerca deste risco. O Brasil sempre teve dificuldade em permitir o avanço dos ideais da Revolução Francesa (Igualdade, Liberdade e Fraternidade) e mais do que nunca estamos vendo que os setores conservadores querem impedir estes avanços. Isto começou, no contexto recente, com a deposição da presidente Dilma e prisão do Lula e agora está se materializando novamente com o crescimento das intenções de voto do candidato de extrema direita. Delação liberada a uma semana da eleição, proibição da entrevista do Lula e dólar caindo são apenas alguns dos sinais que demonstram o sentido que os setores conservadores querem dar ao país.
Se você eleitor votará no candidato que promete acabar com a violência, lamento dizer que está sendo enganado.
Os países que tem a maconha liberada para uso pessoal não apresentam índices de violência associados ao seu consumo. O fato de usar maconha não leva a qualquer tipo de violência como se que fazer acreditar no Brasil. É um pensamento pequeno, sem razoabilidade. Garanto que se o Brasil legalizasse o uso da maconha, o tráfico iria ser quebrado pelas pernas. Não resolveria, mas é um forma muito eficiente de reduzir a criminalidade e, consequentemente a violência no Brasil. Armar as pessoas não é caminho em um país já demasiadamente violento. O candidato de extrema direita é apenas um canalha que se aproveita da situação de extrema violência no Brasil para enganar as pessoas ao dizer que vai resolver. Somos um país com mais de 200 milhões de pessoas e não se resolve as coisas à base da bala. Você já deve ter visto várias cenas de violência no Brasil em tom de agressividade no trânsito, nas ruas etc. Não entremos nesta de que armar a população e matar bandido é a solução. Votar em um candidato com este discurso é validadar atos de violência e não tentar acabar com ela. Devemos pensar nisto. Ora, se hojé já fácil ser assassinado no Brasil por bobagens, imaginem com o povo armado.
Refletindo em uma outra seara podemos pensar nas grandes conquistas que o Brasil fez nos últimos anos e que impactaram diretamente e positivamente as nossas vidas.
Sou da época que não existia programas sociais como bolsa família e nem mesmo Luz para Todos. Estudei com lamparina. Depois de 2003, com as políticas implementadas pelo governo Lula, as coisas começaram a mudar. Passamos a ter um pouco mais de dignidade. As pessoas puderam ter recursos para comprar gás e alguma comida decente. Isto não se trata de esmolas, como quer fazer o candidato de extrema direira acreditar. Chama-se descentralização de renda, mas ele não deve saber o que é isto. Quem não trabalha não é, necessariamente, vagabundo ou preguiçoso. Todos nós sabemos disto, especialmente os nordestinos, pois o que nos faltou, durante muito tempo, foram oportunidades.Muitas vezes não há simplesmente o que fazer. Somos dependente do inverno e sem inverno não há comida. O que foi feito nos últimos anos foi descentralizar renda, apenas. Financiamos casa com um entrada de 3 mil reais, universidades e institutos criados, apenas para lembrar.
No espectro da corrupção temos outra grande mentira do candidato de extrema direita que se insurge como o cara ilibado e que vai acabar com a corrupção. Então digo que a corrupção não é o problema do Brasil. É um dos problemas. Estou falando de economia que, dentre os candidatos, o único que tem feito com clareza é o Ciro Gomes.
Tomando com base o que país arrecadou durante o ano de 2014, vemos que de toda a riqueza, de TODA, 45% foi para pagar dividas com os bancos. O segundo valor em 2014 é justamente o pagamento de aposentadorias com um percentual de 21%. É como se o povo brasileiro produzisse uma pizza e 50% dela pertencesse aos bancos. 21% para previdência e o resto é que é, efetivamente, distribuído por meio da segurança, saúde, educação, etc. A corrupção está presente no gerenciamento e descentralização destes recursos, mas o problema está também nos juros que se pagam aos bancos.
É hora refletir para que não nos levemos pelas mentiras deste apêndice de Hitler no Brasil. O voto de 2018 é uma escolha entre a liberdade e a opressão. A escolha que você fizer trará resultados para a vida de milhões de pessoas. É preciso razoabilidade e não ódio. Liberdade ou opressão. Qual a tua escolha?
Joao Paulo de Oliveira
terça-feira, 2 de outubro de 2018
terça-feira, 5 de setembro de 2017
A educação é um ato de amor...
“A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem.
Não pode temer o debate. A análise da realidade.
Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. ” – Paulo Freire
Paulo Freire é muito feliz com esse pensamento e a partir dele gostaria de fazer algumas ponderações. A educação é um sistema complexo que se integra a outros sistemas, dentre eles a educação formal e sistematizada oferecida pelas escolas. Isso significa que ela não se processa apenas em sala de aula, mas em todos os ambientes onde as relações sociais acontecem. Assim, falar de educação não é tão simples, mas sem dúvida é um ato de amor. Um amor que vem desde a criação na família que tem de dedidir, optar e tentar traçar o melhor caminho para os filhos. Um ato de amor que deve permear a escolha dos conteúdos curriculares que são ministrados nas diferentes etapas de formação de um indivíduo e se materializa na implementação desses conteúdos no cotiano escolar.
Nesse sentido, torna-se também um ato de coragem porque nem sempre as escolhas que fazemos por outros são sempre as melhores (a melhor escola, o melhor currículo, a natação ou o futebol?). Não podemos, de fato, fugir ao debate. Mas, de que debate? Que debate Paulo Freire se referia? Provalvemente o debate que envolve uma formação crítica, respeitosa e que consiga compreender a sociedade como um espaço multifacetado e que, em virtude disso, precisa de regras para que não se afunde nos caos. Regras não foram inventadas pelo capitalismo e tampouco pelos ditadores. Elas se formaram pela necessidade de fazer com que todos pudessem viver harmonicamente. Isto se torna mais forte a partir de 700 a.c quando as primeiras pólis gregas começaram a experimentar um grande crescimento e se tornaram as grandes potências da época.
Esse debate também não podemos temer, pois o pensamento de Paulo Freire não se aplica apenas ao contexto da época em que foi escrito. Paulo Freire é muito mais que o contexto ditatorial onde viveu. Por isso ele ainda faz tanto sentido para a realidade atual. Uma realidade que se coaduna muito com o pensamento de Bauman. As coisas são fluidas, rápidas, êfemeras. Não podemos fugir desse debate. É preciso discutir a educação de hoje considerando esses valores que caracterizam essa época. Isso significa fazer uma análise da realidade. A vida no mundo real não é um vídeo de 2min no youtube. Como já bem pontou Exupéry, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, ou seja, precisamos ter responsabilidades, precisamos saber o que queremos.
É importante refletir sobre o que sonhamos!
O que nós educadores podemos fazer para contribuir com a efetivação dos sonhos dos nossos jovens? Frei Beto em uma de suas palestras, que tive o prazer de participar, dizia que não podemos perder a capacidade de sonhar, porque tudo o que temos de materializado na vida hoje já foi sonho um dia.
A educação humana integral capaz de desenvolver uma postura crítica e pautada no respeito, é certamente, um caminho a ser perseguido. Um caminho que nos permita participar do cotiano onde trabalhamos/estudamos e de mudá-lo sempre que for necessário, sem que precisemos desrespeitar pessoas e espaços. Educar para o respeito não significa formar cidadão alienado ou sem criticidade, significa educar para conviver com outro. Desse valor, a meu ver, derivam-se muitos outros. Se negarmos essa discussão, podemos está sim sob pena de vivermos uma verdadeira farsa educacional, como anunciou Paulo Freire.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
A voz nordestina não será calada!
Não queria dar ibope a quem não merece, mas como nordestino que sou e que muito se orgulha disso, não poderei ficar em silencio diante das declarações de algumas sub-celebridades. Primeiro dizem que, nós nordestinos não sabemos o que se passa no Brasil. Depois mandam nos calar sob o argumento de que já se paga o bolsa família.
As duas ofensas, embora proferidas por pessoas diferentes, tem um elemento em comum: a prepotência dos sujeitos que não conhecem ou ignoram a relevância do povo nordestino na edificação da pátria brasileira. Seja por um ou outro fator, sinto-me ofendido da mesma forma.
Desde a minha tenra idade que eu escutava meus pais, tios e primos falando das boas perspectivas de ir para o sudeste/sul fazer a vida. Muitos parentes fizeram essa travessia de ônibus com alguns trechos em pau de arara. Era a esperança de dias melhores, a perspectiva de garantir o sustento das famílias, pois o suor que derramávamos no sertão nordestino não era suficiente pra irrigar o milho e o feijão nos anos de seca. Muitos pais deixaram filhos e mulheres para tentar conseguir emprego de pedreiro, empregada doméstica, garçom ou vendedor autônomo. Muitos não voltaram, a exemplo dos “candangos” que deram suas vidas para construir Brasília.
Não eram vagabundos preguiçosos que deixavam tudo para trás apenas para fazer turismo nos estados do sudeste. Eram pessoas dispostas a trabalhar, porque somos como a caatinga, disposição e resistência nós sempre tivemos, o que nos faltavam eram oportunidades de crescimento. Nós enfrentamos dificuldades e somos fortes, porque nossa história é vivida, no dia a dia, sob temperaturas acima de 40 graus. Nossa vida no nordeste não é um personagem que interpretamos para uma novela ou uma pose que se faz para a capa de uma revista.
Não digam que não sabemos o que acontece no Brasil, pois nós sabemos sim. Não só sabemos como temos certeza da importância do nosso povo para o desenvolvimento do Brasil. Ah, e não desejem que nos calemos, pois se nem mesmo a seca calou a nossa voz, não será a prepotência de alguns que o fará.
quinta-feira, 12 de maio de 2016
O voto ao Michel Temer
O raciocínio de que o Michel Temer foi indicado pelo PT para ser vice e que, portanto, irá cumprir um atribuição constitucional em virtude do afastamento da titular Dilma, não se aplica ao contexto atual, uma vez que o vice foi eleito por meio de uma coligação. Quando ele viu que o governo ia mal desembarcou na maior, sem honrar os compromissos assumidos nas urnas. A partir daí, [na minha visão] ele perde a legitimidade da sua função. E não apenas isso, passou a agir e conspirar à luz do dia para que o governo do qual ele fazia parte pudesse cair. Se ele fosse honrado, ao deixar o governo teria renunciado a função de vice também. Pelo menos para mim, o meu voto de Vice foi um voto de coligação PT-PMDB. O que o vice fez foi o pior dos golpes contra a democracia, na tentativa de deixar de ser decorativo e passar a condição de protagonista. Ele como constitucionalista devia ser menos rídiculo e saber que todo vice no Brasil é decorativo, pois a sua função sempre é fazer a substituição do titular. Fora disso é vice e só. Então, por favor, usemos o cérebro, ainda não tem franquia de processamento de dados!
Ao vencedor, as batatas!
"Ao vencedor, as batatas!" Nada mais condizente que trazer a célebre frase de Quincas Borba ao contexto atual para expressar o término dessa luta que começou desde a eleição de 2014. Ao Temer e toda a corja ordinária que o acompanha, desejo-lhe além da faixa, as batatas, muitas batatas. A política é um jogo de interesses, não de fidelidade. Nesse momento, os interesses convergiram para outros rumos que não os desejados por uma grande parcela da sociedade brasileira. Entretanto, a luta continuará mais forte, mais aguerrida e a direita brasileira precisará comer muita, muita batata, porque a nossa energia vem da ideologia, não apenas do amido.
Lula, a deposição de Dilma e o governo Temer
Lula será preso na condição de
ministro ou não! Será preso de qualquer jeito, pois o judiciário atenderá a uma
demanda da elite brasileira. A prisão levará a grandes movimentações no país e
em paralelo o Congresso votará a favor do impeachment. Nesse contexto de caos a
vaidade do senado será mais forte que qualquer outro elemento racional e
endossará a decisão da Câmara. Dilma afasta-se do poder executivo e Temer
assume. Mais movimentações e caos! Temer, amparado pelo mesmo grupo que apoiou
o golpe, usará as instituições da república para reestabelecer a ordem e, a
partir daí, começa seu governo como um grande estadista. Abraçado com a
oposição e a mídia, o Brasil deverá ir se reestabelecendo aos poucos. Com a
bolsa em alta e o dólar baixo, Temer terá condições de realizar algumas ações
impopulares até 2018, quando o PSDB ganhará, oficialmente, as eleições e se
casará definitivamente com o PMDB. O noivado começou com a deposição de Dilma e
a prisão do Lula.
Évora, 19/03/2016
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Afinal, somos uma ou duas classes trabalhadoras?
Não sei por que ainda me espanto com os comportamentos individualistas de algumas pessoas. Não entendo como um servidor público federal que passa 3 meses de greve pode está de mi-mi-mi com o aumento do salário mínimo. Ora, o discurso sindicalista é de unicidade, de defesa dos direitos da classe trabalhadora. Mas e os 40 milhões que serão beneficiados não fazem parte da classe trabalhadora? Esse aumento foi uma escolha governamental.
Não temos q ficar questionando ele. É um ganho para o resto da classe trabalhadora, DA QUAL FAZEMOS PARTE. Temos que ficar felizes com isso. Um aumento de quase 100 reais. Eu fico feliz porque eu tenho muitos parentes que vivem com esse salário.
O governo escolheu beneficiar esse grupo maior de trabalhadores que vive com o mínimo. Isso é um ponto. Agora é continuar a luta, mas sempre fazendo jus aos belos discursos entoados nos diversos púlpitos sindicais. Assim, precisamos trazer, ao nosso lado, os demais companheiros que compõem a classe trabalhadora. O momento é de comemoração. Tivemos 5%, mas um outro grupo muito maior teve 11%. Estou feliz porque me sinto parte desse outro grupo e porque entendo que precisamos ser coerentes. Isso implica alinhar teoria e prática, como já defendia Paulo Freire.
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