sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

515 tons de verde

Eu vejo os brasileiros atônitos com os escândalos de corrupção do país, como se isso fosse algo novo ou um processo distante de cada um de nós. Para "resolver" o problema, começam a desenvolver uma campanha a favor do impedimento (sim, impedimento, sou brasileiro, minha língua materna é o português) da presidenta Dilma, como se ela fosse a responsável por ativar dentro de cada espertalhão a "glândula" de produção do aproveitamento. 

Não, definitivamente ela não tem esse controle! Parece-me que a corrupção faz parte do DNA brasileiro. Mas, ao invés de olharem para si e reconhecerem essa patologia como uma tremenda falta de vergonha na cara, preferem atribuir essa "herança genética" ao outro. Para ser mais específico, aos políticos eleitos por nós, que vieram do planeta Marte, especialmente, para administrar o nosso dinheiro.

Os revoltados esquecem que, todas as vagas no Congresso, no Estado e nas Prefeituras podem ser ocupadas por brasileiros exemplares, como aqueles que: pagam seus impostos; não ocupam vagas de deficientes; não fazem gato no medidor de energia elétrica; não pegam água indevidamente da companhia distribuidora; não usam o sistema Windows pirata; cumprem o expediente de seu trabalho; não furam fila; param na faixa de pedestre e não ultrapassam em faixa contínua. Esses são apenas alguns itens da conduta que desenvolvemos diariamente. Mas precisamos esperar a nave espacial pousar a cada dois anos trazendo os políticos marcianos que ocuparão os cargos do poder executivo e legislativo.

Mas, se temos vagas para brasileiros, por que elas são ocupadas sempre por políticos de marte? Se eles não fossem importados, seríamos um exemplo de conduta ética e moral? Resolveríamos todos os problemas de corrupção? Ora, se os políticos não viessem de marte para quem iríamos transferir nosso reflexo de 515 anos de trapaças?

O que nos falta é nos colocarmos diante de um espelho, olharmos a nossa identidade e ver na imagem que se forma diante dos nossos olhos, se o nosso rosto não apresenta tons de verde.

A reflexão (nos dois sentidos amplos que pode assumir) nos mostrará que os políticos não vieram de marte. Eles somos nós no espelho do futuro.

Se a tonalidade é verde ou não, não tem problema, cabe a você optar por ser brasileiro ou continuar fingindo que também veio de marte!