segunda-feira, 31 de outubro de 2016
A voz nordestina não será calada!
Não queria dar ibope a quem não merece, mas como nordestino que sou e que muito se orgulha disso, não poderei ficar em silencio diante das declarações de algumas sub-celebridades. Primeiro dizem que, nós nordestinos não sabemos o que se passa no Brasil. Depois mandam nos calar sob o argumento de que já se paga o bolsa família.
As duas ofensas, embora proferidas por pessoas diferentes, tem um elemento em comum: a prepotência dos sujeitos que não conhecem ou ignoram a relevância do povo nordestino na edificação da pátria brasileira. Seja por um ou outro fator, sinto-me ofendido da mesma forma.
Desde a minha tenra idade que eu escutava meus pais, tios e primos falando das boas perspectivas de ir para o sudeste/sul fazer a vida. Muitos parentes fizeram essa travessia de ônibus com alguns trechos em pau de arara. Era a esperança de dias melhores, a perspectiva de garantir o sustento das famílias, pois o suor que derramávamos no sertão nordestino não era suficiente pra irrigar o milho e o feijão nos anos de seca. Muitos pais deixaram filhos e mulheres para tentar conseguir emprego de pedreiro, empregada doméstica, garçom ou vendedor autônomo. Muitos não voltaram, a exemplo dos “candangos” que deram suas vidas para construir Brasília.
Não eram vagabundos preguiçosos que deixavam tudo para trás apenas para fazer turismo nos estados do sudeste. Eram pessoas dispostas a trabalhar, porque somos como a caatinga, disposição e resistência nós sempre tivemos, o que nos faltavam eram oportunidades de crescimento. Nós enfrentamos dificuldades e somos fortes, porque nossa história é vivida, no dia a dia, sob temperaturas acima de 40 graus. Nossa vida no nordeste não é um personagem que interpretamos para uma novela ou uma pose que se faz para a capa de uma revista.
Não digam que não sabemos o que acontece no Brasil, pois nós sabemos sim. Não só sabemos como temos certeza da importância do nosso povo para o desenvolvimento do Brasil. Ah, e não desejem que nos calemos, pois se nem mesmo a seca calou a nossa voz, não será a prepotência de alguns que o fará.
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