segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A voz nordestina não será calada!

Não queria dar ibope a quem não merece, mas como nordestino que sou e que muito se orgulha disso, não poderei ficar em silencio diante das declarações de algumas sub-celebridades. Primeiro dizem que, nós nordestinos não sabemos o que se passa no Brasil. Depois mandam nos calar sob o argumento de que já se paga o bolsa família. As duas ofensas, embora proferidas por pessoas diferentes, tem um elemento em comum: a prepotência dos sujeitos que não conhecem ou ignoram a relevância do povo nordestino na edificação da pátria brasileira. Seja por um ou outro fator, sinto-me ofendido da mesma forma. Desde a minha tenra idade que eu escutava meus pais, tios e primos falando das boas perspectivas de ir para o sudeste/sul fazer a vida. Muitos parentes fizeram essa travessia de ônibus com alguns trechos em pau de arara. Era a esperança de dias melhores, a perspectiva de garantir o sustento das famílias, pois o suor que derramávamos no sertão nordestino não era suficiente pra irrigar o milho e o feijão nos anos de seca. Muitos pais deixaram filhos e mulheres para tentar conseguir emprego de pedreiro, empregada doméstica, garçom ou vendedor autônomo. Muitos não voltaram, a exemplo dos “candangos” que deram suas vidas para construir Brasília. Não eram vagabundos preguiçosos que deixavam tudo para trás apenas para fazer turismo nos estados do sudeste. Eram pessoas dispostas a trabalhar, porque somos como a caatinga, disposição e resistência nós sempre tivemos, o que nos faltavam eram oportunidades de crescimento. Nós enfrentamos dificuldades e somos fortes, porque nossa história é vivida, no dia a dia, sob temperaturas acima de 40 graus. Nossa vida no nordeste não é um personagem que interpretamos para uma novela ou uma pose que se faz para a capa de uma revista. Não digam que não sabemos o que acontece no Brasil, pois nós sabemos sim. Não só sabemos como temos certeza da importância do nosso povo para o desenvolvimento do Brasil. Ah, e não desejem que nos calemos, pois se nem mesmo a seca calou a nossa voz, não será a prepotência de alguns que o fará.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O voto ao Michel Temer

O raciocínio de que o Michel Temer foi indicado pelo PT para ser vice e que, portanto, irá cumprir um atribuição constitucional em virtude do afastamento da titular Dilma, não se aplica ao contexto atual, uma vez que o vice foi eleito por meio de uma coligação. Quando ele viu que o governo ia mal desembarcou na maior, sem honrar os compromissos assumidos nas urnas. A partir daí, [na minha visão] ele perde a legitimidade da sua função. E não apenas isso, passou a agir e conspirar à luz do dia para que o governo do qual ele fazia parte pudesse cair. Se ele fosse honrado, ao deixar o governo teria renunciado a função de vice também. Pelo menos para mim, o meu voto de Vice foi um voto de coligação PT-PMDB. O que o vice fez foi o pior dos golpes contra a democracia, na tentativa de deixar de ser decorativo e passar a condição de protagonista. Ele como constitucionalista devia ser menos rídiculo e saber que todo vice no Brasil é decorativo, pois a sua função sempre é fazer a substituição do titular. Fora disso é vice e só. Então, por favor, usemos o cérebro, ainda não tem franquia de processamento de dados!

Ao vencedor, as batatas!

"Ao vencedor, as batatas!" Nada mais condizente que trazer a célebre frase de Quincas Borba ao contexto atual para expressar o término dessa luta que começou desde a eleição de 2014. Ao Temer e toda a corja ordinária que o acompanha, desejo-lhe além da faixa, as batatas, muitas batatas. A política é um jogo de interesses, não de fidelidade. Nesse momento, os interesses convergiram para outros rumos que não os desejados por uma grande parcela da sociedade brasileira. Entretanto, a luta continuará mais forte, mais aguerrida e a direita brasileira precisará comer muita, muita batata, porque a nossa energia vem da ideologia, não apenas do amido.

Lula, a deposição de Dilma e o governo Temer

Lula será preso na condição de ministro ou não! Será preso de qualquer jeito, pois o judiciário atenderá a uma demanda da elite brasileira. A prisão levará a grandes movimentações no país e em paralelo o Congresso votará a favor do impeachment. Nesse contexto de caos a vaidade do senado será mais forte que qualquer outro elemento racional e endossará a decisão da Câmara. Dilma afasta-se do poder executivo e Temer assume. Mais movimentações e caos! Temer, amparado pelo mesmo grupo que apoiou o golpe, usará as instituições da república para reestabelecer a ordem e, a partir daí, começa seu governo como um grande estadista. Abraçado com a oposição e a mídia, o Brasil deverá ir se reestabelecendo aos poucos. Com a bolsa em alta e o dólar baixo, Temer terá condições de realizar algumas ações impopulares até 2018, quando o PSDB ganhará, oficialmente, as eleições e se casará definitivamente com o PMDB. O noivado começou com a deposição de Dilma e a prisão do Lula.

Évora, 19/03/2016